Lula protagoniza virada histórica, derrota Flávio Bolsonaro por 4,4 milhões de votos e conquista quarto mandato presidencial

Após perder o primeiro turno por mais de 2,2 milhões de votos, presidente reverte resultado, amplia vantagem sobre adversário e se torna o primeiro brasileiro eleito quatro vezes para governar o país. Às vésperas de completar 81 anos, Lula prepara novo governo, que começa em 5 de janeiro de 2027.

Da redação – Gurupi News – 26 de outubro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu mais um capítulo na história política brasileira neste domingo, 25 de outubro, ao conquistar sua quarta vitória em eleições presidenciais. Aos 80 anos, prestes a completar 81 nesta terça-feira (27), Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, protagonizando uma virada inédita nas eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização.

A vitória teve um significado especial: Lula chegou ao segundo turno depois de perder a primeira votação por mais de 2,2 milhões de votos. Entretanto, numa arrancada eleitoral que mobilizou milhões de brasileiros, conseguiu reverter a desvantagem e terminar a disputa com uma diferença superior a 4,4 milhões de votos sobre o adversário — praticamente o dobro da vantagem que Flávio Bolsonaro havia conquistado no primeiro turno.

Segundo os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%. A diferença final foi de 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais.

A arrancada que mudou o resultado das urnas

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou à frente com 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos era de 2.224.965 votos.

Três semanas depois, o cenário havia se invertido. Lula acrescentou mais de 10,3 milhões de votos à votação anterior, enquanto Flávio Bolsonaro ampliou sua votação em aproximadamente 3,7 milhões. Essa diferença no crescimento eleitoral foi determinante para o resultado final.

Indicador1º turno2º turno
Lula53.879.53864.256.232
Flávio56.104.50359.826.041
DiferençaFlávio +2.224.965Lula +4.430.191
Abstenção21,08%19,21%

A campanha do segundo turno foi marcada pela intensificação das mobilizações populares, pelas disputas nas redes sociais, pela busca dos eleitores de outros candidatos e pela redução da abstenção. O comparecimento cresceu significativamente em relação ao primeiro turno, contribuindo para alterar o equilíbrio da disputa.

Um dos dados mais expressivos dessa virada foi o avanço de Lula em 96,7% dos municípios brasileiros, onde melhorou seu desempenho relativo diante de Flávio Bolsonaro. O petista conseguiu inverter o resultado em 211 municípios, incluindo o Rio de Janeiro e Macapá, e virou a disputa estadual em Minas Gerais.

O Nordeste permaneceu como uma das principais bases eleitorais de Lula, enquanto o avanço em centros urbanos do Sudeste e a recuperação em municípios antes favoráveis ao adversário ajudaram a construir a vitória nacional.

A eleição também foi marcada por um episódio incomum: a prorrogação do horário de votação em seções eleitorais, determinada pelo Supremo Tribunal Federal após reclamações relacionadas às condições de transporte de eleitores. A apuração chegou a ser suspensa temporariamente, sendo retomada após as 19 horas.

Os números gerais da eleição

Conforme os dados divulgados após a votação, o segundo turno apresentou o seguinte quadro:

Eleitores aptos: mais de 158 milhões.

Comparecimento: aproximadamente 128,2 milhões.

Votos válidos: 124.082.273.

Votos em branco: 1.430.496.

Votos nulos: 2.723.305.

Abstenção: aproximadamente 19,21%.

Os números confirmam uma das disputas mais competitivas da história recente do país, com milhões de brasileiros divididos entre dois projetos políticos e uma diferença final relativamente pequena em termos percentuais.

Lula discursa na Avenida Paulista em São Paulo, após a vitória – Foto: Paulo Pinto – Agência Brasil

Quatro mandatos: uma marca inédita na história do Brasil

Com a vitória de domingo, Lula passa a ser o único brasileiro eleito quatro vezes para a Presidência da República, superando os registros de Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, eleitos duas vezes cada.

A trajetória presidencial do petista reúne quatro vitórias:

2002: derrotou José Serra (PSDB), conquistando seu primeiro mandato.

2006: venceu Geraldo Alckmin (PSDB), hoje seu vice-presidente, e foi reeleito.

2022: derrotou Jair Bolsonaro (PL) e retornou ao Palácio do Planalto após 12 anos.

2026: superou Flávio Bolsonaro (PL), numa virada inédita entre os dois turnos.

O novo mandato terá início em 5 de janeiro de 2027 e terminará em janeiro de 2031. Caso seja concluído, Lula terá acumulado 16 anos à frente da Presidência da República, uma marca singular na história democrática brasileira.

Aos 81 anos, Lula se prepara para o último mandato

A vitória também acontece num momento simbólico da vida do presidente. Nesta terça-feira, 27 de outubro, Lula completará 81 anos, apenas dois dias depois de conquistar seu quarto mandato.

O presidente já indicou que a eleição de 2026 representaria sua despedida das urnas. Além disso, pelas regras constitucionais atuais, não poderá disputar uma nova reeleição consecutiva em 2030.

Assim, o período de 2027 a 2030 deverá representar o encerramento de sua trajetória no exercício da Presidência, embora não necessariamente de sua participação na vida política nacional.

Em seu pronunciamento após a vitória, Lula reafirmou o compromisso de dedicar-se integralmente ao novo governo e prometeu fazer dele o melhor mandato de sua trajetória.

Lula promete ampliar políticas sociais, investimentos e segurança pública

Entre os principais compromissos anunciados para o novo mandato estão a ampliação de programas sociais, a valorização do salário mínimo, o fortalecimento da educação pública, o desenvolvimento tecnológico e uma atuação mais efetiva do governo federal na segurança pública.

Na educação, Lula anunciou a intenção de universalizar o ensino em tempo integral até o ensino médio, ampliar o programa Pé-de-Meia e criar uma modalidade voltada aos estudantes universitários, buscando reduzir a evasão motivada por dificuldades financeiras.

Na economia, o programa de governo prevê investimentos em infraestrutura, reindustrialização, ampliação do Minha Casa, Minha Vida, políticas de geração de emprego e renda e medidas para reduzir desigualdades. Também estão entre as propostas a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, sem redução salarial, e o debate sobre o fim da escala 6×1.

O presidente destacou ainda o desenvolvimento de uma inteligência artificial brasileira, investimentos em economia digital, energia renovável e novas tecnologias, além da expansão dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na segurança pública, Lula defendeu maior participação da União no enfrentamento da criminalidade, reconhecendo a necessidade de articulação entre o governo federal e os estados.

São compromissos que dependerão de planejamento orçamentário, articulação política e, em determinados casos, aprovação do Congresso Nacional.

“Nunca ganhei no primeiro turno, mas nunca perdi no segundo”, disse Lula

Uma das declarações que chamaram atenção no discurso da vitória foi a referência feita pelo presidente à sua trajetória eleitoral. Ao comentar o caráter inédito da virada, Lula afirmou: “Eu nunca ganhei eleição no meu 1º turno, mas nunca perdi nenhuma no 2º turno.”

A declaração expressa a confiança do presidente em sua trajetória de vitórias, mas exige uma ressalva histórica: Lula foi derrotado por Fernando Collor no segundo turno de 1989. Já em 1994 e 1998, perdeu para Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno.

Desde sua primeira vitória presidencial, em 2002, entretanto, Lula efetivamente venceu todas as eleições presidenciais que disputou: 2002, 2006, 2022 e 2026, sempre com decisão no segundo turno.

Foto: Paulo Pinto – Agência Brasil

O desafio de governar um país dividido

Apesar da vitória, o resultado demonstra que o presidente terá pela frente um país politicamente dividido. Os quase 60 milhões de votos recebidos por Flávio Bolsonaro evidenciam a expressiva presença eleitoral da oposição e a necessidade de diálogo com diferentes setores da sociedade.

O novo mandato também será marcado pelo desafio de construir uma relação institucional com um Congresso de perfil mais conservador, equilibrar as contas públicas, enfrentar as demandas sociais e avançar na implementação das propostas apresentadas durante a campanha.

Em seu discurso, Lula afirmou que pretende governar para todos os brasileiros, independentemente da escolha eleitoral, e ressaltou a importância do respeito às instituições democráticas, à diversidade religiosa e à Constituição Federal.

Uma virada que entra para a história

A eleição de 2026 ficará registrada não apenas pela quarta vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, mas também pela dimensão da recuperação eleitoral entre os dois turnos.

O candidato que iniciou a segunda etapa da disputa com mais de 2,2 milhões de votos de desvantagem terminou com uma vantagem superior a 4,4 milhões, numa mudança de aproximadamente 6,65 milhões de votos na diferença entre os concorrentes.

Ao completar 81 anos nesta terça-feira, Lula terá diante de si o desafio de transformar a vitória eleitoral em resultados administrativos, econômicos e sociais.

O quarto mandato será, ao mesmo tempo, a consolidação de um recorde histórico e um período decisivo para a avaliação de seu legado político. Entre as promessas da campanha e os desafios de governar, o presidente terá quatro anos para demonstrar como pretende encerrar sua passagem pelo comando do país.

A história já registra Lula como o primeiro brasileiro eleito quatro vezes presidente da República. O que ainda será escrito é o legado que deixará ao concluir esse quarto mandato.

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