Temos o que comemorar nesse Dia do Professor?

O dia 15 de outubro costuma ser lembrado com flores, homenagens e discursos de reconhecimento. Nas escolas, multiplicam-se as mensagens de gratidão e as palavras bonitas sobre a importância de quem ensina. No entanto, quando a data passa, o professor volta ao mesmo cenário de descaso, sobrecarga e desvalorização. A pergunta que se impõe é inevitável. Temos realmente o que comemorar?

Em todos os níveis de ensino, o professor brasileiro enfrenta uma dura realidade. Salários baixos, estruturas precárias, jornadas exaustivas e pouca valorização profissional compõem um quadro que se repete há décadas. A carreira docente, que deveria ser uma das mais respeitadas, tornou-se sinônimo de luta e resistência. Ensinar no Brasil, infelizmente, tem sido um ato de coragem.

Além da falta de condições materiais, há um desgaste emocional profundo. O professor é cobrado por resultados sem receber o apoio necessário. É pressionado por políticas educacionais inconsistentes, por famílias que muitas vezes delegam responsabilidades e por uma sociedade que o culpa pelas falhas do sistema. Dentro das salas de aula, enfrenta o desrespeito, a indisciplina e, não raras vezes, a violência. Fora delas, é atingido por discursos que deslegitimam sua autoridade e questionam sua competência.

Ainda assim, é esse mesmo professor que insiste em acreditar na força da educação. Que chega todos os dias à sala de aula com esperança, mesmo quando o reconhecimento é escasso. Que transforma limitações em criatividade e, apesar de tudo, continua plantando sementes de conhecimento e cidadania.

O Dia do Professor, portanto, não pode ser apenas uma data de celebração. Deve ser, antes de tudo, um grito de alerta. Um chamado à consciência nacional para que a educação seja tratada como prioridade, e não como discurso de ocasião. É preciso mais do que homenagens simbólicas. É urgente garantir salários dignos, formação continuada, segurança, condições adequadas de trabalho e respeito.

Valorizar o professor é valorizar o futuro do país. Nenhuma nação se desenvolve quando negligencia aqueles que formam todas as outras profissões. Enquanto o educador continuar sendo aplaudido no dia 15 de outubro e esquecido nos demais 364 dias do ano, continuaremos presos ao ciclo da retórica e da omissão.

O Dia do Professor deve servir para lembrar que sem o mestre, o país desaprende a pensar, a sonhar e a construir caminhos de esperança.

Gilberto Correia da Silva – Professor universitário aposentado, jornalista, poeta, escritor e teológo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *