O sol nasce para todos

O sol nasce para todos

Não bate na porta perguntando

Qual a sua cor, qual a sua fé

Quanto tem na conta, qual o seu tamanho

Se carrega peso no corpo ou na alma

Ele só nasce.

E ilumina igual.

Porque a luz não escolhe chão

Ela cai sobre o palácio e sobre a rua

Sobre o mar calmo da sua foto

E sobre a cidade que acorda na correria

Ela toca o rico e o que não tem nada

O forte e o cansado

E lembra que no começo do dia

A gente é tudo igual: gente.

Agora… como você recebe esse sol na sua vida

É o que vai determinar o seu dia

Se você abre o peito e deixa entrar

Se transforma luz em gesto, em palavra, em cuidado

Ou se vira as costas e chama de peso

O que podia ser calor.

Aprenda com ele.

Mesmo forte, mesmo poderoso

Mesmo sendo o centro de tudo

O sol sabe a hora de ir embora

Ao final do dia ele se despede sem briga

Sem medo de sumir

E abre passagem

Com delicadeza

Para a beleza da lua.

A lua não compete.

Ela chega mansa, prateada

Para ninar pensamento, para curar cansaço

Para mostrar que também é bonito escurecer.

Faça assim também com sua vida,

Brilhe forte enquanto for dia

Aqueça, plante, resolva, ame

Seja sol para quem anda frio

E quando a noite pedir

Saiba recolher.

Desacelere.

Descanse.

Deixe o céu mudar.

Porque a vida inteira é esse revezamento

Sol para caminhar

Lua para sonhar

E você, no meio, aprendendo

A ser luz e também ser noite.

Gilberto Silva

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