Eles vieram para ver Canelones. Agora começa a verdadeira jornada.

Por Jacobo Malowany

Durante meses, discutimos o que significaria trazer jornalistas e profissionais da mídia de diferentes regiões do Brasil para Canelones. Houve reuniões, telefonemas, mudanças de cronograma, arrecadação de fundos, hotéis, ônibus, alimentação e muitos outros detalhes que pareceram pequenos até chegar o momento de recebê-los.

Esta semana, eles deixaram de ser apenas nomes em uma lista.

Eles chegaram.

E depois de explorar, conversar, degustar, fazer perguntas, fotografar e entrevistar, há uma primeira conclusão que ouvi repetidas vezes entre os organizadores, participantes e aqueles que acompanharam as diferentes atividades: o encontro superou as expectativas.

Também superou a minha.

Porque uma coisa é elaborar um programa no papel e outra bem diferente é observar um jornalista brasileiro parar diante de algo que para nós pode parecer banal, pegar o celular, fazer perguntas, gravar e descobrir ali uma história.

Esse era, em última análise, o objetivo.

Tambor de boas-vindas

Não queríamos explicar o que eram Canelones para eles. Queríamos que eles experimentassem.

Também não queríamos confinar a experiência às fronteiras departamentais. Se queremos que um brasileiro escolha o Uruguai, precisamos entender como ele realmente viaja. Para ele, Canelones e Montevidéu ficam a poucos quilômetros de distância, complementam-se e podem fazer parte da mesma viagem.

Por isso, o trabalho da Associação de Turismo de Montevidéu foi tão importante; eles aceitaram o desafio de organizar um passeio pela cidade que permitiu mostrar um outro lado da capital.

A visita incluiu o Museu do Carnaval, o Museu do Futebol, o Bar 1930 e a Rural del Prado. Não foi apenas uma visita a lugares. Foi uma forma de conversar sobre futebol, carnaval, identidade, memória e cultura popular com visitantes que compartilham muitos desses valores conosco.

E aí reside uma das lições aprendidas com esse encontro: quando dois territórios vizinhos deixam de se ver como concorrentes e começam a se complementar, a oferta turística se torna muito mais forte.

Houve também uma surpresa que merece ser discutida.

A visita ao TUMO teve um impacto particularmente forte nos profissionais de mídia brasileiros. Descobrir um espaço onde jovens podem desenvolver habilidades relacionadas à tecnologia, criatividade e produção audiovisual imediatamente despertou perguntas, câmeras e conversas.

Para jornalistas e comunicadores que ganham a vida produzindo conteúdo, descobrir um espaço dedicado à geração de novas capacidades audiovisuais teve um significado especial.

A experiência também nos permitiu mostrar outra dimensão do Uruguai: não apenas praias, gastronomia, patrimônio ou vinho, mas um país que também investe em conhecimento e na educação das novas gerações.

A iniciativa conta com a participação da Ceibal e o apoio da Aeropuertos Uruguay, parte da Corporación América Airports. Essa colaboração também diz muito sobre o Uruguai que queríamos apresentar.

Porque a promoção do turismo não se resume a mostrar o que temos. Trata-se também de permitir que os visitantes compreendam o tipo de país que estamos construindo.

E depois havia o Dínamo.

Na quinta-feira, Atlántida deixou de ser apenas o local onde a delegação ficaria por algumas horas. Transformou-se em um espaço para debater turismo, ouvir outras experiências e reunir jornalistas, autoridades, empresários, operadores turísticos e estudantes.

Mas havia algo que nenhuma apresentação poderia substituir.

Gastronomia UTU

A gastronomia e a música dos estudantes da UTU Atlántida.

Observá-los trabalhando diante de uma delegação internacional também foi uma forma de apresentar a Canelones. Jovens estudando, aprendendo e assumindo a responsabilidade de servir visitantes estrangeiros com produtos e sabores da nossa terra.

Alguns podem se lembrar de uma exposição. Outros, de uma estatística. Outros, de uma entrevista.

Muitos certamente também se lembrarão de um sabor, uma música ou uma conversa em volta de uma mesa.

Isso também constrói um destino.

E ao longo dessa jornada, houve outro protagonista silencioso: CEPROTUR.

Os ônibus garantiram o transporte em todas as etapas, possibilitando a conclusão de um programa exigente e permitindo que os visitantes conectassem Atlántida, Canelones, Montevidéu e cada uma das experiências planejadas. No turismo, muitas vezes falamos muito sobre atrações e pouco sobre algo fundamental: sem transporte, não há destino.

Enquanto tudo isso acontecia, apareceu um sinal que tem um significado especial para mim.

As primeiras notas começaram a ser publicadas.

Não havia necessidade de esperar que os jornalistas retornassem ao Brasil.

O Diário da Manhã, por exemplo, apresentou Canelones aos seus leitores através das suas vinhas, tradições, gastronomia, história e praias. Outros meios de comunicação começaram a noticiar o aeroporto, o encontro e as experiências que estavam a descobrir.

Isso muda completamente a perspectiva.

Durante meses fomos nós que dissemos que Canelones tinha coisas para contar.

Mercado Parque del Plata

Agora eles estão começando a contar suas histórias.

Gorgônio Loureiro, presidente da FEBTUR, resumiu a situação afirmando que “Canelones já faz parte da vitrine promocional da FEBTUR”.

E essa frase vale muito mais depois de termos visto o que aconteceu durante esses dias.

Porque o verdadeiro resultado de trazer jornalistas para cá não se mede por quantos entraram num autocarro ou quantas pessoas estavam sentadas numa conferência.

Teremos que medir quantas histórias surgiram.

Quantas notas foram publicadas?

Que lugares nos surpreenderam.

Quais produtos suscitaram dúvidas?

Quais contatos continuarão?

E, acima de tudo, quantas pessoas no Brasil descobrirão, por meio desse conteúdo, que a poucas horas de suas casas existe um Uruguai que elas desconheciam.

A Associação de Turismo de Canelones conseguiu trazê-los. Mas este encontro demonstrou algo ainda mais importante: quando associações, entidades públicas, empresas, centros educativos, operadores e pessoas que acreditam num projeto se unem, o resultado deixa de pertencer apenas a quem teve a ideia inicial.

Torna-se coletivo.

Ainda temos muito a fazer.

Mas esta semana aconteceu algo simples, porém difícil de alcançar:

O Brasil veio observar. Canelones abriu suas portas. Montevidéu juntou-se à jornada. E o Uruguai começou a ser contado por aqueles que vieram descobri-lo.

Agora começa a verdadeira jornada: aquela que essas histórias farão quando retornarem ao Brasil.

Jacobo Malowany – Periodista uruguaio

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