O homem que fez das palavras um jeito de permanecer

Há pessoas que passam pelas cidades. Outras ajudam a construir a alma delas. Zacarias Martins, o nosso querido Zaca, pertence a essa segunda categoria.

Hoje, aos 69 anos, ele não celebra apenas mais um aniversário. Celebra uma existência dedicada às palavras, à cultura, ao jornalismo, à literatura e, acima de tudo, às pessoas. Quem conhece Zaca sabe que sua escrita nunca foi apenas tinta sobre o papel. Sempre foi memória, sentimento e esperança.

Conheço Zaca há 36 anos. Foi um dos primeiros amigos que encontrei quando cheguei a Gurupi, no início da década de 1990. Eu ainda aprendia a conhecer a cidade, suas ruas, seus personagens e seus sonhos. Foi então que apareceu aquele homem um tanto apressado, agitado por natureza, com sorriso acolhedor e olhar de quem carregava inúmeras histórias para contar.

A amizade nasceu naturalmente, como nascem as boas amizades. Sem esforço, apenas pela afinidade entre pessoas que acreditam no poder da palavra.

Ao longo dessas mais de três décadas, vi Zaca escrever sobre fatos e pessoas, registrar acontecimentos que poderiam ter sido esquecidos pelo tempo e transformar o cotidiano em literatura. Poucos conseguem essa façanha. Escrever é relativamente fácil. Difícil é escrever deixando marcas na memória coletiva de uma comunidade.

Poeta, jornalista e escritor, ele soube unir a sensibilidade do artista com a responsabilidade do comunicador. Enquanto muitos escrevem para ocupar espaço, Zaca sempre escreveu para ocupar consciências.

Seu nome se confunde com a história cultural de Gurupi e do Tocantins. Em cada reportagem, em cada crônica, em cada poema e em cada livro, há um pouco do homem paraense, que aprendeu a enxergar beleza onde muitos viam apenas rotina.

Os anos passaram. Vieram novas tecnologias, mudaram os jornais, mudaram os meios de comunicação, mudaram as gerações. Mas algumas coisas permaneceram intactas. Ainda que agitado, apressado, mesmo com o passar dos anos e a necessidade de zelar sempre pelo coração pulsante, não deixa a fidelidade aos amigos, o trato com as pessoas e o pela profissão.

Isso talvez explique por que Zaca é querido por tantos. Não apenas pelo que escreve, mas pelo que é. Há escritores que produzem livros. Outros produzem lembranças. Zaca faz as duas coisas.

Hoje, ao completar 69 anos, recebe o carinho de familiares, amigos, leitores e admiradores que reconhecem sua contribuição para a cultura tocantinense e para a história de Gurupi.

Que Deus continue renovando suas forças, iluminando seus caminhos e inspirando sua pena. Que nunca lhe faltem saúde para caminhar, serenidade para viver, amigos para abraçar e motivos para continuar escrevendo. Porque homens como Zacarias Martins não envelhecem. Tornam-se referências. Ou verbetes.

Feliz aniversário, meu amigo!

Que os próximos capítulos de sua história sejam escritos com a mesma sabedoria, sensibilidade e generosidade que marcaram toda a sua caminhada.

Parabéns pelos 69 anos de uma vida bem vivida, bem escrita e, sobretudo, bem compartilhada.

Com carinho e admiração,

Gilberto Correia da Silva (Gil Correia)

Professor, jornalista, poeta e amigo.

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