35 anos depois, pioneiras da Seleção Feminina receberão R$ 500 mil em reparação histórica

Lei aprovada pelo Congresso reconhece atletas que defenderam o Brasil nas seleções de 1988 e 1991

A seleção que participou do torneio da China de 1988, precursor da primeira Copa do Mundo feminina

O Estado brasileiro vai conceder um prêmio de R$ 500 mil às jogadoras que defenderam a Seleção Brasileira feminina nas equipes de 1988 e 1991, em uma medida considerada de reparação histórica. O reconhecimento chega 35 anos após a disputa da primeira Copa do Mundo Feminina da Fifa, realizada em 1991, na China, e beneficia atletas que atuaram em uma época marcada pela falta de investimento e pelo preconceito contra o futebol de mulheres.

Uma das contempladas é a ex-atacante Pretinha, que tinha apenas 16 anos quando disputou o Mundial de 1991 e era a atleta mais jovem da delegação brasileira. As informações foram divulgadas pela Agência Senado. Pretinha diz que homenagem corrige dívida com quem abriu caminho para o futebol feminino.

A ex-jogadora Pretinha, uma das premiadas pelo projeto aprovado pelo Senado – Foto: Lívia Villas Boas / CBF

35 anos depois, pioneiras da Seleção Feminina receberão R$ 500 mil

A premiação foi criada pela Lei 15.421/2026, originada do Projeto de Lei 1.315/2026, aprovado pelo Congresso Nacional. A iniciativa reconhece a contribuição das pioneiras que ajudaram a consolidar o futebol feminino no país décadas antes de a modalidade ganhar maior visibilidade.

Pretinha contou que soube da homenagem por amigos e pela imprensa. “Fiquei muito feliz com o reconhecimento. Gostaria de agradecer ao governo e a todas as pessoas envolvidas no projeto”, afirmou. Antes de vestir a camisa da Seleção, Pretinha jogava no clube amador Mendanha, na zona oeste do Rio de Janeiro, e disputava partidas com meninos nos campos de terra da região. Após a convocação para a seleção, assinou contrato com o Vasco da Gama.

Reparação por décadas de desigualdade

O futebol feminino foi proibido no Brasil entre 1941 e 1979. O Decreto-Lei nº 3.199 determinava que mulheres não poderiam praticar esportes considerados “incompatíveis com sua natureza”, regra que, na prática, impediu a prática do futebol por quase quatro décadas.

Para a historiadora Bruna Barenco, pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) ouvida pela Agência Senado, a revogação da proibição não eliminou os obstáculos enfrentados pelas atletas.

Segundo ela, mesmo após a legalização, o futebol feminino permaneceu por muitos anos sem campeonatos estruturados, categorias de base e investimentos comparáveis aos do masculino. A pesquisadora avalia que o prêmio representa um importante gesto de reparação histórica ao reconhecer mulheres que foram apagadas da história do esporte.

Durante a tramitação da proposta, a senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora do projeto, classificou a medida como uma forma de reparar uma dívida histórica com as pioneiras do futebol feminino brasileiro. Já o senador Romário (PL-RJ) afirmou que a homenagem faz justiça às atletas que representaram o país sem estrutura adequada.

Além das seleções de 1988 e 1991, o Senado também aprovou um projeto para estender a homenagem às jogadoras que disputaram a Copa do Mundo de 1995, na Suécia — torneio do qual Pretinha também participou.

A ex-atleta ainda defendeu o Brasil nas Copas de 1999 e 2007, disputou quatro Jogos Olímpicos, conquistou duas medalhas de prata olímpicas e integrou a equipe campeã dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

A homenagem faz parte de um conjunto de medidas aprovadas pelo Congresso voltadas ao fortalecimento do esporte feminino e aos preparativos para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.

Por Mariana Rios

Publicado em https://www.correio24horas.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *