Quem te conhece não esquece jamais, Minas Gerais.
E dentro de ti, como coração que pulsa cultura, montanha e afeto, está Belo Horizonte, aniversariante deste 12 de dezembro.
BH não se impõe. Ela acolhe.
Não grita. Ela conversa baixo, quase em tom de confidência, como quem oferece um café passado na hora certa, acompanhado de pão de queijo quente e uma prosa sem pressa. É cidade que ensina a andar devagar, mesmo quando o mundo insiste em correr.
Belo Horizonte nasce planejada, mas cresce humana.
Entre avenidas largas e ruas que sobem e descem, mora um povo que carrega no sotaque a gentileza e no olhar a desconfiança boa de quem aprende a confiar aos poucos. Mineiro não se entrega de primeira, mas quando entrega, é de vez.
BH é esquina.
É o encontro improvável de Drummond com o concreto, do Clube da Esquina com a alma brasileira, da fé silenciosa com a boemia que resiste. É cidade que canta, mesmo quando cala. Que pensa, mesmo quando parece apenas observar.
Do alto da Serra do Curral, ela se revela inteira.
Um mar de prédios cercado por montanhas, como se precisasse de limites naturais para não transbordar poesia. E talvez transborde mesmo assim, nos bares, nos violões, nos versos escritos em guardanapos, nas conversas que atravessam a madrugada.
Belo Horizonte é política, é resistência, é universidade, é cultura viva.
É praça ocupada, é livro aberto, é arte que se espalha pelos muros e pelos palcos. É memória e futuro disputando espaço, mas aprendendo a conviver.
Quem passa por BH leva um pouco dela.
Quem fica, cria raízes.
Quem parte, sente saudade antes mesmo de chegar longe.
Neste 12 de dezembro, Belo Horizonte celebra mais que anos.
Celebra histórias, afetos, encontros e permanências.
Celebra o jeito mineiro de ser. Profundo, discreto e inesquecível.
Parabéns, BH.
Porque quem te conhece, não esquece jamais.
Por Gilberto Silva