PF faz nova fase de operação por fraude

A Polícia Federal deflagrou hoje a oitava fase da Operação Overclean, que investiga desvio de emendas parlamentares.

Operação cumpre mandados em quatro cidades e prende ex-secretário de Educação do Tocantins por tentar obstruir investigação.

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (31), uma nova fase de operação contra fraudes em contratos públicos, com mandados de busca e apreensão em Gurupi e Palmas (TO), além de ações em Brasília (DF) e São Paulo (SP). As medidas incluem o bloqueio de valores obtidos de forma ilícita e miram empresários e ex-servidores públicos ligados à Secretaria de Educação do Tocantins.

Entre os principais alvos estão Éder Martins Fernandes, ex-secretário executivo de Educação do Estado, e Claudinei Aparecido Quaresemin, ex-secretário extraordinário de Parcerias e Investimentos, além de Itallo Moreira de Almeida, ex-diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (GO).

Edinho Fernandes (foto)foi preso, segundo a PF, por embaraços à investigação, junto com Danilo Pinto

Durante o cumprimento das ordens judiciais, Éder Martins Fernandes e seu funcionário Danilo Pinto da Silva foram presos em flagrante por tentarem monitorar a sede da Superintendência da PF em Palmas, a fim de antecipar possíveis diligências. Ambos foram autuados por embaraço à investigação.

As apurações indicam que os investigados integrariam um núcleo criminoso com atuação no Tocantins, responsável por direcionar contratos para a empresa Larclean Saúde Ambiental, de propriedade do empresário Alex Parente, também investigado na Operação Overclean.

Segundo a PF, a Larclean teria vencido, em 2020, uma licitação no valor de R$ 16,9 milhões para serviços de dedetização em escolas estaduais. Em troca, servidores públicos teriam recebido propinas que somam R$ 1 milhão.

A empresa é suspeita de superfaturamento e sobrepreço, com valores até 660% acima dos preços de mercado, além de apresentar comprovantes de serviços que não teriam sido executados.

Outro investigado, Claudinei Quaresemin, apontado como sobrinho do ex-governador Mauro Carlesse, teria atuado na intermediação de repasses ilegais, indicando contas de empresas usadas para as transferências das propinas.

Também figura entre os alvos da operação o advogado Luiz França, atual secretário nacional do Podemos. O partido afirmou que não tem relação com o caso e declarou apoio à apuração. Em nota, informou que os fatos investigados são anteriores à incorporação do PHS pelo Podemos e que a operação está relacionada à atuação profissional de França como advogado e consultor jurídico.

A ação, que conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, busca desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes licitatórias, corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

Com informações de Natália Portinari e Bruno Luiz Do UOL, em Brasília e São Paulo

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