Por Jorge Silveira Duarte Fotos: Facebook Município de Atlántida

Para compreender o território de Canelones, é necessário, primeiro, conhecer a estrutura administrativa do Uruguai e os diferentes níveis de governo que organizam o país. O sistema está dividido em três instâncias: governo nacional, governo departamental e governo municipal.
O governo nacional, exercido pelo presidente da República, é responsável pela administração de todo o país. No segundo nível estão os governos departamentais, equivalentes, em certa medida, aos governos estaduais brasileiros. O Uruguai possui 19 departamentos, cada um administrado por um intendente, autoridade que guarda algumas semelhanças com a figura do governador no Brasil, e por uma Junta Departamental, que exerce funções legislativas no âmbito local. O terceiro nível é formado pelos municípios, estrutura administrativa criada a partir da legislação aprovada em 2009. Cada município é dirigido por um alcalde, equivalente ao prefeito brasileiro, e por quatro concejales, que correspondem, em linhas gerais, aos vereadores.

É nesse contexto geopolítico que se insere Canelones, um dos 19 departamentos uruguaios, atualmente dividido em 32 municípios. É por parte desse território que passaremos entre os dias 15 e 19 de setembro de 2026, durante um encontro promovido por meio da ATC – Asociación Turística de Canelones e da FEBTUR – Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo.
Será uma oportunidade para conhecer e compartilhar as paisagens, a cultura, a gastronomia e as experiências turísticas de Canelones. Uma imersão que certamente será marcada pela hospitalidade dos anfitriões uruguaios, muitos dos quais hoje também integram a família FEBTUR.
Uma inesquecível experiência em Atlántida
Entre os municípios que visitaremos está Atlántida. Já estive algumas vezes nesse pequeno paraíso uruguaio, mas nenhuma visita — por enquanto — se compara à primeira, ocorrida há mais de 50 anos, quando eu tinha apenas 10 anos de idade.
Naquela época, passava férias em Salinas, hoje também um dos municípios de Canelones, distante cerca de oito quilômetros de Atlántida. Em uma típica aventura de infância — e sem a autorização dos pais — eu e alguns amigos da mesma idade decidimos percorrer de bicicleta o caminho entre as duas praias para conhecer o destino.
Foram aproximadamente duas horas de pedalada na ida, entre dunas e praias. Chegamos, permanecemos apenas alguns minutos contemplando o lugar e, então, empreendemos o caminho de volta. Mais duas horas de bicicleta, desta vez acompanhadas por uma preocupação que só uma criança é capaz de compreender: não sabíamos como nossos pais reagiriam ao nosso desaparecimento.

O percurso pelas dunas era sinuoso. Não me lembro exatamente por que utilizávamos tão pouco a faixa de areia da praia para pedalar, mas lembro das sensações. A cada pedalada, uma nova descoberta: o verde profundo entre as dunas, o céu de um azul intenso e aquele mar de tonalidade escura, marcado pela presença das águas do Rio da Prata.
As imagens ficaram registradas na memória. Não havia fotografias para guardar aquele momento — apenas os olhos de uma criança e a capacidade que a infância tem de transformar uma simples aventura em uma grande história.
Chegar a Atlántida foi emocionante. Naquele tempo, o balneário era ainda mais pacato, pequeno e pouco movimentado. Talvez justamente por isso tenha permanecido tão vivo na minha memória.

Agora, mais de cinco décadas depois, o reencontro será diferente.
Desta vez, não chegarei pedalando os oito quilômetros entre Salinas e Atlántida. Também não haverá pais à espera, preocupados com o meu desaparecimento.
Haverá, porém, algo que permanece intacto: a expectativa de reencontrar suas dunas, o azul intenso do céu, o cheiro do mar e aquelas paisagens que ficaram guardadas na memória desde os meus 10 anos.
E, desta vez, terei muito mais do que alguns minutos para contemplar você, Atlántida.
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