Teremos cenas dos próximos capítulos ou não?
O Campeonato Tocantinense 2025 pode até ter sido encerrado dentro das quatro linhas nessa terça-feira, 30 de dezembro, com o Araguaína levantando a taça após empate em 1 a 1 diante do Tocantinópolis, no Estádio Ribeirão. Porém, fora de campo, a competição insiste em não terminar.

Depois de um primeiro semestre marcado por confusão, insegurança jurídica e prejuízos esportivos, quando o União venceu em campo, mas acabou eliminado por escalação irregular de atletas, perdendo pontos e ficando fora do quadrangular final, o futebol tocantinense pode estar diante de mais um capítulo constrangedor. E, novamente, envolvendo um clube da cidade de Araguaína.

De acordo com a Circular nº 065/2025, expedida pela Federação Tocantinense de Futebol (FTF) no dia 9 de dezembro, ficou estabelecido que os clubes classificados para semifinais e finais deveriam regularizar e inscrever atletas até o dia 19 de dezembro. A norma é objetiva, clara e não abre margem para interpretações alternativas.

Ocorre que o Araguaína, já garantido na decisão, teve alguns atletas liberados para atuar apenas no dia 27 de dezembro, exatamente na data da primeira partida da final, disputada no Estádio Mirandão, quando venceu o Tocantinópolis por 2 a 1. A situação levanta uma questão grave: houve ou não descumprimento da circular da própria Federação?
Em grupos de WhatsApp, um advogado ligado ao Araguaína chegou a argumentar que a circular não se aplicaria ao clube por ele não ter disputado a semifinal, apenas a final. Contudo, essa interpretação não encontra respaldo no texto oficial. Em nenhum momento a circular menciona datas diferentes ou exceções para clubes já classificados diretamente à final. A regra foi única e válida para todos.

O que se desenha, portanto, é a repetição de um velho problema. Desatenção às normas, improviso e amadorismo na gestão dos clubes, algo que o futebol tocantinense conhece bem. E paga caro por isso.
Diante desse cenário, restam algumas perguntas inevitáveis: O Gurupi, eliminado pelo Tocantinópolis na semifinal, irá se manifestar?
O próprio Tocantinópolis, vice-campeão dentro de campo, buscará seus direitos?
A FTF tomará alguma medida administrativa, inclusive levando o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD)?
Ou, mais uma vez, tudo será empurrado para debaixo do tapete em nome da conveniência?
Cabe lembrar que a CBF determinou expressamente que a competição fosse encerrada ainda em 2025, o que torna qualquer nova pendência ainda mais delicada. Se confirmada alguma irregularidade, será impossível ignorar o fato sem comprometer ainda mais a credibilidade do futebol estadual.
O Tocantinense 2025, que já nasceu problemático, pode terminar como um exemplo negativo de gestão esportiva, onde normas existem, mas nem sempre são cumpridas, ou cobradas. A próxima semana promete ser decisiva, seja por uma solução administrativa da FTF, seja por provocação ao TJD por parte de algum clube filiado.
Tudo pode acontecer, até mesmo nada.
Enquanto isso, o torcedor segue assistindo, não a um campeonato bem organizado, mas a um enredo que mais se assemelha a um filme de horror institucional, recheado de erros, omissões e improvisos.
Como diria o saudoso Salomão, jornalista goiano-tocantinense, em seu inesquecível Dois dedos de prosa: “É… pois é… é isso aí…”
Com a palavra, agora, os atores desse drama.