Cerimônia do Nobel de Corina é suspensa

Decisão foi tomada após consulta interna; organização afirma que laureada não representa seus valores

O Conselho Norueguês da Paz anunciou, nesta sexta-feira (24), que não realizará a cerimônia tradicional de entrega do Prêmio Nobel da Paz 2025, concedido neste ano à líder venezuelana María Corina Machado.

Em comunicado oficial, a entidade informou ter decidido suspender a procissão de tochas e o evento de homenagem que tradicionalmente marcam a entrega do prêmio. A decisão, segundo o documento, foi tomada “após um rigoroso processo de consulta entre nossas 17 organizações-membro”.

Sem citar o nome da opositora venezuelana, o Conselho declarou que a vencedora “não está alinhada com os valores do Conselho Norueguês da Paz nem com os de suas organizações associadas”.

A presidente da instituição, Eline Lorentzen, afirmou que se tratou de “uma decisão difícil, mas necessária”. Ela destacou o respeito ao Comitê Nobel e à tradição do prêmio, mas ressaltou que o Conselho “deve ser fiel aos seus próprios princípios e ao movimento global pela paz”.

“Temos grande respeito pelo Comitê Nobel e pelo Prêmio Nobel da Paz como instituição, mas precisamos manter coerência com nossos valores. Esperamos celebrar novamente o prêmio nos próximos anos”, declarou Lorentzen.

A nota reforça que o Conselho continuará atuando “pelo desarmamento, pelo diálogo e pela resolução pacífica de conflitos”, e pretende apoiar futuras premiações que “reflitam verdadeiramente esses princípios”.

Contexto da premiação

O Comitê Norueguês do Nobel havia anunciado, em 10 de outubro, a escolha de María Corina Machado como vencedora do Nobel da Paz 2025, justificando a decisão por “seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano”.

Machado, figura central da oposição ao governo de Nicolás Maduro, tem histórico de participação em movimentos que apoiaram tentativas de golpe na Venezuela, inclusive em 2002, contra Hugo Chávez, e em 2019, ao lado de Juan Guaidó.

A nomeação foi recebida com críticas em diversos setores, por seu caráter político e por coincidir com o aumento das tensões diplomáticas entre Washington e Caracas.

Nas redes sociais, a própria laureada afirmou sentir-se “honrada” com o reconhecimento e disse que o prêmio simboliza “a luta dos venezuelanos pela liberdade e pela paz”.

“É um reconhecimento aos milhões de venezuelanos anônimos que arriscam tudo por um país livre”, afirmou.

Com informações do Brasil de Fato.


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